Informação sobre apnéia, causas, sintomas e tratamento da apnéia do sono, identificando o diagnóstico de apnéia do sono obstrutiva e central, com dicas que permitam a cada pessoa identificar este problema de modo a tomar medidas adequadas.


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sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Tratamento da síndrome da apnéia obstrutiva do sono

O tratamento do paciente com síndrome da apnéia obstrutiva do sono objetiva, a curto prazo, tratar os sintomas associados e a longo prazo tratar ou evitar as complicações da doença, sobretudo as cardiovasculares.
Os tratamentos propostos incluem medidas de higiene do sono, utilização de dispositivos nasais e/ou intraorais, cirurgias nasais, faríngeas e crânio faciais.
O tratamento clínico mais recomendado atualmente é a Pressão Positiva Contínua nas Vias Aéreas. A prescrição do CPAP nasal é médica, porém o profissional que geralmente o ajusta e monitora nos hospitais é o fisioterapeuta devido ao seu maior conhecimento técnico para com o mesmo e por conseguir acompanhar o paciente por um período de tempo maior.
Nápolis (2008) diz que o tratamento fisioterapêutico objetiva promover uma ventilação e oxigenação noturna normais; reduzir ou abolir o ronco; e eliminar a fragmentação do sono.

Diagnóstico da síndrome da apnéia obstrutiva do sono

O diagnóstico é dado através da história clínica, exame físico, aplicação de questionários, testes de registro simplificados até polissonografia clássica, esta que é considerada “padrão-ouro” para diagnosticar a síndrome da apnéia obstrutiva do sono.
Segundo Silva (2008) a polissonografia (PSG) é um termo genérico que se refere ao registro simultâneo de algumas variáveis fisiológicas durante o sono, tais como, eletroencefalograma, eletrooculograma, eletromiograma, eletrocardiograma, fluxo aéreo (nasal e oral), esforço respiratório (torácico e abdominal), outros movimentos corporais (através da EMG), gases sanguíneos (retração da oxi-hemoglobina- Sp02, concentração de dióxido de carbono), posição corporal, entre outras.

Epidemiolodia da síndrome da apnéia obstrutiva do sono

A síndrome da apnéia obstrutiva do sono é considerada um problema de saúde pública potencialmente tratável e, em virtude de suas consequências, vem ganhando progressiva atenção da comunidade médica.
A prevalência da síndrome da apnéia obstrutiva do sono varia de 0,8% a 24%4 na população geral, sendo comparável a outras doenças crônicas como doença arterial periférica, epilepsia e doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC).
Na análise por sexo os estudos demonstram maior frequência de síndrome da apnéia obstrutiva do sono entre os homens do que em mulheres, em uma proporção de 2:1. A menopausa aumenta a chance de desenvolver síndrome da apnéia obstrutiva do sono, mas o efeito da reposição hormonal é controverso.
A prevalência de síndrome da apnéia obstrutiva do sono é diferente entre os diversos grupos étnicos. Os aspectos mais chamativos verificam-se nos afroamericanos.
Um estudo demonstrou que os afro-americanos jovens apresentam maior probabilidade de possuir síndrome da apnéia obstrutiva do sono, diagnosticada por polissonografia domiciliar, quando comparados com caucasianos. Outra pesquisa revelou que os afro-americanos apresentaram uma chance 2,5 vezes maior de possuir síndrome da apnéia obstrutiva do sono grave quando comparados com brancos, mesmo após ajuste para o IMC, sexo e idade.
Os estudos deixam realçar que as diferenças de prevalência decorrentes de faixa etária, sexo, etnia e peso corporal somam-se também às diferenças metodológicas quanto à obtenção do diagnóstico de síndrome da apnéia obstrutiva do sono (polissonografia laboratorial, domiciliar, monitorização cardiorrespiratória e oximetria noturna). A tecnologia empregada para a quantificação do fluxo nasal também é bastante variável nos diversos métodos. Os estudos que utilizam termístores ou termopares, menos sensíveis, provavelmente subestimam o número de eventos respiratórios durante o sono quando comparados
com estudos que utilizam transdutores de cânulas de pressão, mais sensíveis. Além disso, a definição de síndrome da apnéia obstrutiva do sono empregada também difere entre os estudos.

Sintomas da síndrome da apnéia obstrutiva do sono

Os sintomas da síndrome da apnéia obstrutiva do sono são primariamente noturnos e posteriormente diurnos.
Os noturnos são, ronco alto e freqüente, pausas respiratórias, sensação de sufocamento, engasgos, todos estes na maioria das vezes relatados pelo parceiro(a) de quarto; além de nictúria, boca seca, sialorréia e despertares.
As consequências diurnas são, sonolência diurna excessiva, fadiga, alterações neurocognitivas (déficit de atenção, memória, concentração, reflexo e dificuldade de aprendizado), alterações comportamentais (mau humor matinal e irritabilidade), cefaléia matinal, diminuição da libido e impotência sexual.
Existem ainda fatores associados como a obesidade, hipertensão arterial sistêmica, hipertensão pulmonar, fragmentação do sono, arritmias cardíacas relacionadas ao sono, angina noturna, cardiopatia isquêmica, cor pulmonale, refluxo gastroesofágico, prejuízo da qualidade de vida e insônia, que são características importantes.

Causas de síndrome da apnéia obstrutiva do sono

Os mais potentes fatores capazes de desencadear a síndrome da apnéia obstrutiva do sono são a obesidade (particularmente a adiposidade central), o sexo masculino e a idade avançada. O grau de obesidade guarda relação direta com a prevalência de apnéias obstrutivas. Nos indivíduos com sobrepeso a prevalência da síndrome da apnéia obstrutiva do sono chega a 30% a 40%, enquanto naqueles com índice de massa corporal (IMC) acima de 40 kg/m2 a prevalência alcança mais de 90%. A obesidade aumenta a colapsabilidade faríngea tanto pelo efeito mecânico dos tecidos moles do pescoço sobre a faringe e da redução do volume pulmonar que acontece nesses pacientes quanto por deterioração do controle neuromuscular, vinculado à ação de adipocinas. Nesse grupo de indivíduos as diferenças na distribuição e na atividade metabólica do tecido adiposo podem modificar os componentes mecânico e neural da colapsabilidade faríngea, favorecendo a ocorrência de apneias obstrutivas.
A prevalência de obesidade entre os portadores de síndrome da apnéia obstrutiva do sono também é alta. Diversos mecanismos ligados à privação de sono e à descontinuidade do metabolismo parecem agravar o estado de obesidade dos pacientes com síndrome da apnéia obstrutiva do sono, por meio da resistência à leptina e do aumento dos níveis de grelina, promovendo aumento do apetite e da ingestão calórica, e por intermédio da resistência à insulina, levando ao diabetes.
Com o aumento progressivo da obesidade, a síndrome da apnéia obstrutiva do sono pode contribuir para a instalação, nesses pacientes, de hipoventilação alveolar, mesmo diurna, desenvolvimento de hipertensão vascular pulmonar, cor pulmonale e insuficiência respiratória aguda.
A distribuição central da gordura responde também pela maior predominância do sexo masculino no desenvolvimento de síndrome da apnéia obstrutiva do sono, enquanto a adiposidade periférica e a ausência do hormônio testosterona, possivelmente, protegem as mulheres contra as apnéias obstrutivas.
Já o envelhecimento contribui para o aumento da prevalência da síndrome da apnéia obstrutiva do sono por meio do papel no aumento progressivo da complacência das vias aéreas superiores, com consequente aumento da predisposição ao colapso.

Síndrome da apnéia obstrutiva do sono

A síndrome da apnéia obstrutiva do sono se caracteriza pela presença de sintomas diurnos produzidos por cinco ou mais eventos obstrutivos do tipo apneia e hipopneia por hora de sono (IAH = 5/h), diagnosticados por polissonografia ou pela presença do índice de apneia + hipopneia maior ou igual a 15 eventos por hora. Sintomas como hipersonolência diurna, cansaço, indisposição, falta de atenção, redução da memória, depressão, diminuição dos reflexos e sensação de perda da capacidade de organização são queixas comuns que devem servir de alerta para o possível diagnóstico de apnéias obstrutivas, quando associadas a queixas relativas ao sono noturno. O sono do apnéico pode ser muito rico em detalhes observáveis pelos familiares ou pelo companheiro de quarto. Pausas na respiração, ronco, engasgo, gemidos expiratórios (catatrenia), inquietação no leito, períodos curtos de hiperpneia ruidosa e relaxamento da mandíbula, por exemplo, são relatos comuns. O próprio paciente também pode queixar-se de cefaleia matinal, nictúria, despertar com a boca seca e dor na garganta.
O conhecimento atual nos deve orienta a ficar cada vez mais atentos ao diagnóstico de síndrome da apnéia obstrutiva do sono  em condições de anormalidades cardiovasculares do tipo insuficiência cardíaca refratária, hipertensão arterial resistente, angina noturna e arritmias noturnas, principalmente.
Índice dos artigos relativos a Apnéia do Sono